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É PERMITIDO PISAR EM CIMA DOS MÓDULOS FOTOVOLTAICOS?

 

 

Talvez este seja um dos maiores temas de discussão e de polêmica do mercado fotovoltaico. Antes de entrar de forma mais direta no assunto, vamos entender um pouco sobre o processo de fabricação de um módulo fotovoltaico. 

 

A fabricação de um módulo é composta por diversas etapas, e trataremos aqui das camadas que compõe cada um deles, que são basicamente seis:

  • Moldura de alumínio
  • Vidro especial
  • Camada ou película encapsulante (EVA)
  • Células fotovoltaicas
  • Camada ou película encapsulante (EVA)
  • Backsheet (proteção traseira – PVDF; filme posterior)
  • J-box (junction box – caixa de junção)*

 

FIGURA 1 – Esquema dos componentes de um módulo fotovoltaico

 

FONTE: Manual de engenharia de sistemas fotovoltaicos (CRESESB, 2014)

Apesar dos módulos serem extremamente resistentes devido aos componentes que fazem parte de sua estrutura de montagem, eles não são projetados para serem pisados. Então de forma bem direta, a resposta imediata sobre ser permitido pisar nos módulos fotovoltaicos, é um definitivo NÃO! Não é permito! 

 

As células possuem espessura da ordem de 0,2mm – 0,12mm, então por mais que visualmente (a olho nu) não seja possível identificar danos causados por conta de pisadas (e qualquer outra força mecânica aplicada na superfície dos módulos), as células sofrem fissuras que ao longo do tempo comprometerá a eficiência do módulo, e em alguns casos mais extremos até mesmo torna-lo rapidamente inutilizável.

 

Os danos às células fotovoltaicas podem ser causados por diversos motivos diferentes. Entre estes motivos podemos citar o processo de fabricação, impactos decorrentes do mal transporte, ou problemas durante a instalação (que é o mais comum). Dificilmente um grande fabricante de módulo que atue no mercado, apresentará problemas durante a fabricação de seus produtos. Visto que existem inspeções rigorosas (feita pontualmente, produto a produto) ao final da linha de produção.

 

Ao final de toda implantação de um sistema fotovoltaico, deve ser feito o comissionamento de toda a instalação. Que consiste em realizar uma série de inspeções e testes com a finalidade de identificar defeitos e imprecisões nos equipamentos ou instalações. Um desses testes é capaz de averiguar se nos módulos existem os famosos “hotspots” (pontos quentes), que podem ser causados por células danificadas, este teste é chamado de termografia. 

 

A termografia é uma fotografia com câmera de infravermelho capaz de capturar a temperatura do local inspecionado. Locais do módulo fotovoltaico com alta temperatura, acima do normal, são possíveis locais de microfissuras causadas quase que 100% das vezes, por pegadas na superfície dos módulos. 

 

Um módulo defeituoso, pode comprometer toda a eficiência de um sistema, o defeito não será detectado sem um teste termográfico durante o comissionamento. Por isso, exija profissionalismo e especialização da equipe instaladora. Conhecimento específico em todas as etapas de execução de uma planta de geração solar, é indispensável.

 

Em resumo, a falta de conhecimento de uma equipe instaladora pode comprometer todo o resultado esperado em um projeto. Pisar nos módulos fotovoltaicos causa defeitos sim. Causando com isto, ineficiência do sistema, payback irreal (falaremos sobre payback no próximo artigo), insatisfação do cliente, e em casos mais extremos, expondo a instalação a riscos de incêndio quando os defeitos por hotspots elevarem de forma significativa a temperatura do módulo.

(*) A “junction-box” não é considerada uma camada que compõe a estrutura de fabricação do módulo fotovoltaico, porém está representada por fazer parte de forma intrínseca de todo e qualquer módulo. É responsável pelo “gerenciamento” dos padrões elétricos do componente.

 

Fonte: Departamento de engenharia da Win Energias Renováveis.